Movimentos
- Ruben De Brito Silva
- Sep 21, 2025
- 3 min read

Já parou pra pensar em como absolutamente tudo está sempre em constante movimento? A brisa suave é o ar em movimento. Lembre dos rios, das ondas do mar, dos animais, das plantas. Estão sempre no gerúndio, sempre fazendo algo. Nunca estamos verdadeiramente “parados”, como, por exemplo, quando estamos sentados numa cadeira na sala de casa. De fato, estamos girando à cerca de 1700 km/h e indo a mais de 100 mil km/h no sistema solar. Sem mencionar que o sistema solar como um todo também se movimenta na galáxia e assim por diante. À noite, num recanto ermo longe das grandes cidades, quando a natureza está mais quieta, animais noturnos saem a perambular. Os que dormem, apenas entram em um outro estado de consciência, quando o corpo entra em plena atividade e passa a realizar uma “faxina” metabólica para eliminar toxinas, entre outras atividades fundamentais. Nossas células estão sempre trabalhando, e trabalhando muito. São incontáveis e muito complexos todos os processos químicos que se desenrolam nessa minúscula parte de nós. Ali se desenrolam todas as nossas percepções, emoções e funções vitais diversas. Se ainda não parou pra pensar nisso, então não pare, pois isso é impossível.
Parar é ir contra todo o Universo, que também está sempre em movimento. Estrelas surgem, outras morrem. Assim como planetas e galáxias. Se somos parte desta natureza, e a observarmos com um pouco de atenção, perceberemos que tudo está em expansão. Porque conosco seria diferente? Somos, sim, criaturas que buscam expansão. Quem faz a opção de ficar inerte tende a sentir angústia com o passar do tempo. É quando, aparentemente, está tudo bem, mas parece que há algo internamente que incomoda.
Muitos de nós entendem que esta expansão seja o acúmulo de riquezas, poder e fama. Contudo, o sentido da expansão em nossa espécie vai muito além de nascer, crescer e reproduzir. Isso até uma ameba faz, sem querer ofender as amebas. Vai muito além de desenvolver a capacidade cognitiva. Vai muito além de ser o mais esperto. Nos julgamos um animal poderosamente diferenciado, que domina o planeta, ou até nos colocamos como “superiores”. Será que esse nosso potencial teria sido desenvolvido apenas para que você e eu trabalhemos para atender nossos desejos mais profundos? Seria para que os mais aptos pudessem brigar por seus interesses e garantir cada vez mais a satisfação, subjugando os menos aptos? Se é isso, o que nos diferencia dos animais? O ser-humano realiza-se plenamente sendo humano, ou seja, não sendo desumano. Simples assim.
No entanto, parece que existe uma força invisível que nos quer brecar. É como a gravidade, para quem quer voar. É a pressão gigante, pra quem quer mergulhar fundo. Sentimos como que se, para nos mover, tivéssemos que superar uma força que age em sentido contrário. Temos que gastar muita energia. E é nos inspirando na natureza que aprendemos que esse é o sentido da vida. Para que as asas da borboleta se desenvolvam perfeitamente, precisa haver o esforço na saída do casulo. Se esse processo é facilitado, não há pressão suficiente para que os vasos que percorrem as asas possam moldá-las em sua forma final, deixando-as deformadas para sempre. Assim somos nós, precisamos superar a resistência que nos quer tentar fazer parar, e nos esforçar para sermos seres-humanos. É nessa jornada que nos moldamos e nos lapidamos. É essa a nossa natureza, é esse o nosso propósito. E para saber como estamos indo nesse processo, basta olharmos para o rastro que deixamos. Sejam pegadas no nosso planetinha Terra ou marcas internas nas pessoas com as quais nos relacionamos, nossas pegadas dizem tudo sobre o ser-humano que ali passou. Se o cenário não nos parece o ideal, já sabemos por onde temos que nos movimentar e pra onde devemos direcionar nossas energias.

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