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O Presente não existe

  • Writer: Ruben De Brito Silva
    Ruben De Brito Silva
  • Aug 17, 2025
  • 3 min read

Mais um dia está nascendo. Um presente divino! Mas não é desse sentido de presente quero falar hoje. É do presente enquanto momento cronológico. Quanto tempo teremos hoje? O mesmo de sempre, correto?


Se o tempo é tão constante, porque temos a sensação que as vezes ele passa tão depressa e às vezes é tão lento? Se estamos passando por um sofrimento que quer que acabe logo o tempo é lento. Se estamos vivendo algo prazeroso o tempo é curto. Mas que raios é isso do tempo ser elástico? Nossa percepção de tempo também é muito relativa.


Se refletirmos mais profundamente sobre o que é o tempo, a conclusão é ainda mais chocante. Perceba que a definição de tempo é baseada no movimento, revoluções, dos astros. Em outras palavras o tempo é relativo a algo. Como temos consciência mais clara de um tempo de vida de apenas algumas dezenas de décadas, nossa compreensão de um tempo numa escala gigantesca já fica comprometida. Por exemplo, se estudamos um pouco a geologia do planeta, do local onde vivemos, vamos aprender que o solo que está pisando demorou milhões de anos para ser formado. Ele é oriundo de rochas que foram se desgastando num processo muito lento e, que por sua vez, foram formadas também há milhões e milhões de anos atrás. É difícil até imaginar isso. Numa escala de tempo planetária, se o nosso planeta tivesse sido formado em primeiro de Janeiro, os primeiros sinais de vida teriam surgido de forma muito primitiva em meados de Março. Os dinossauros teriam surgido em Dezembro e o Homo sapiens sapiens a meia-noite do dia 31 de Dezembro. Ou seja, um instante. Um nada dentro de um ano. E a terra tem cerca de 4.5 BILHÕES ou 4.500.000.000 de anos. Isso representa 1.642.500.000.000 dias, ou 39.420.000.000.000 horas. Percebam que esses números muito grandes vão ficando meio subjetivos na nossa mente. O que eu fiz aqui foi um exercício para relativizar o tempo, para percebermos que:


1 - pensando na nossa existência humana, não somos nada em termos de tempo cronológico quando nos comparamos com uma pedra debaixo dos nossos pés.

2- Nossa capacidade de perceber o tempo numa escala gigante é muito limitada


Pra continuar com esse raciocínio, lembro que o relógio, instrumento que usamos hoje para marcar o tempo do nosso dia, é uma invenção muito recente. Ele foi criado, ao que me parece, para sincronizar as operações nas linhas de trem. Os passageiros precisavam saber que horas o trem passaria em determinada estação. As companhias ferroviárias precisavam ser mais precisas para sincronizar a logística e o movimento das locomotivas nas linhas, etc. Antes disso, as pessoas se baseavam no movimento do sol. Nós humanos criamos a ideia de tempo por uma questão prática de fluidez das atividades modernas que desenvolvemos.


Sabemos que nascemos e que todos morreremos. Se nossa jornada aqui neste planeta é tão rápida - Como vimos antes, o ser humano surge no planeta em “31 de Dezembro”, quem dirá nossa existência individual, quantos milésimos de segundo seria? - não deveríamos fazer um uso mais consciente deste intervalo tão pequeno em que estamos aqui? Dar mais atenção às nossas escolhas e como estamos “gastando”nosso tempinho?


Em outras palavras, o tempo é uma invenção humana para resolver questões práticas do nosso dia-a-dia. Por isso nossa percepção dele varia. O que importa é o que o tempo significa internamente para nós. Mais ainda, o que fazemos com nossa existência. Se tivéssemos consciência da brevidade da vida, não escolheríamos opções mais nobres e elevadas em detrimento de escolhas superficiais que num segundo momento percebemos que foram um disperdício? Gastamos tempo brigando para provar quem é que está com a razão. Investimos nossa energia em assuntos passageiros e sem importância. Passamos o tempo pensando em um futuro que não existe, onde nossos insaciáveis desejos serão satisfeitos, porque só aí, então, seremos felizes. Temos pressa pra realizar nossos desejos. Essa pressa gera ansiedade. E a garantida não realização de TODOS os nossos desejos gera frustração e sofrimento. Ou ficamos presos aos erros e sofrimentos do passado que também já não existem mais. Nem o tão afamado PRESENTE, que seria o momento real que vivemos, conseguimos perceber (isso porque nossos sentidos demoram um tempo pra processar as informações e decodificá-las no cérebro, e quando a imagem ou a ideia se formam na nossa mente já é passado).


Em resumo, o tempo é uma invenção humana. O passado, o futuro e nem mesmo o presente existem. O que existe de fato na nossa mente são apenas as percepções do tempo. E o que importa de fato é o significado que damos para essas percepções. Se sentimos que estamos fazendo bom uso do nosso dia, nos sentiremos realizados, em paz e FELIZES. Não é?

 
 
 

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