Os sons da alma
- Ruben De Brito Silva
- Aug 10, 2025
- 3 min read
Updated: Aug 17, 2025

A foto acima é de onde escrevo neste momento. Um local com cena paradisíaca, não?
Se pudessem ouvir os sons que ouço notariam que atrás das árvores, no meio do lago, há um chafariz. O som da água jorrando é muito agradável. Me remete à água em movimento de um riacho pedregoso. Também há os sons dos pássaros. Noto ao menos 3 espécies diferentes. Também há o som do vento ao tocar meus ouvidos e nos galhos e folhas das árvores. Mas quero ressaltar outro ruído.
Não muito distante (menos de 1 km), há uma avenida muito movimentada. Impressionante que os ruídos dos automóveis é tão constante, que se não prestamos atenção quase não os ouvimos. Não que os sons emitidos sejam muito baixos, pelo contrário. Mas, é porque é muito constante, e, por falta de contraste do silêncio acabamos nos acostumando de tal forma que não os percebemos mais. A não ser quando um carro com um barulho específico desponta, ou quando cruza um avião no céu e quebra o padrão, realmente podemos nos dar conta da quantidade enorme de ruído que está sendo produzido aqui. É um som alto, abafado, artificial. Isso me levou a pensar em algumas coisas.
Primeiro: estamos imersos em tantos ruídos que talvez estejamos insensíveis aos sons emitidos por nossas almas. E alma tem som? Talvez me perguntaria. E eu responderia, sim. Mas é um sussurro. É como uma intuição, que se não estivermos atentos, a atropelamos num ato grosseiro de insensibilidade total. Os sons da alma são a voz da nossa essência, do nosso verdadeiro EU. Um EU que é superdotado de conhecimento e quer, a todo momento, auxiliar nosso outro “eu”, mas passa despercebido. Esses ruídos da vida sobrepõem-se e, ao menos que consigamos um local de silêncio interior, não o conseguiremos ouví-lo. Nosso “EU” sussurra, e o nosso “eu” berra! Isso me leva ao segundo ponto.
Segundo: Vocês tem dificuldade de perceber que todos estão berrando? Quem está na operação miúda do dia-à-dia é nosso “euzinho”minúsculo. O “eu”intelectual, que inclusive acha que sabe das coisas. Que sabe o que é melhor pra nós. Então, somos um bando de gente louca gritando, cada um querendo gritar mais alto que o outro para ser notado, para ganhar dinheiro, para alimentar o ego, para satisfazer nossos prazeres, etc. E, para mim, o que ocorre é que não percebemos isso. É tanto barulho, e um barulho tão constante, que se não tivermos uma forma de nos afastarmos disso e encontrarmos algum silêncio, sequer o percebemos.
A importância disso se dá pelo fato que não escutar nosso verdadeiro “EU” é ignorar aquilo que de melhor temos para nós mesmos. Se não o escutarmos, agiremos sempre no automático. Seremos sempre pensados pelos outros ou por nossos instintos. De onde vem a expressão: “agi sem pensar”? Claro que estamos sempre pensando. Inclusive, não há como agir sem pensar. Mas o que passa é que nessas ocasiões estávamos apenas sobre a gestão do “eu”, ou, “euzinho”. Como tudo na natureza, esse “eu” é necessário e desempenha uma função vital na nossa existência. Mas, há que haver um equilíbrio. Se na nossa vida só escutarmos o “euzinho”, sofreremos as consequências.
Por falar em consequências, arrisco dizer, que a maior fonte de angústia e sofrimento pode advir do fato de não ouvirmos os sons da nossa alma. É como uma mulher prestes a dar à luz a um filho, mas se recusa. Imaginem o sofrimento que isso causará aos dois. Ouvir os sons de nossas almas é escutar o sentido da vida, é enxergar que há muito mais além do que nossos objetivos autocentrados. É saciarmos nosso ser de maneira profunda ao alinhar nossas atividades, que dependem no nosso “eu”para serem desempenhadas de modo funcional, com os objetivos sussurrados por nosso “EU”maior e mais elevado. Diria mais, não devíamos só ouví-los , mas sim escutá-los.
Isso faz sentido pra você?

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